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domingo, 6 de outubro de 2013

O Espelho

Meu resumo e opinião do conto O Espelho de Machado de Assis p/ aula de LIteratura

Ao ler "O Espelho", fiz relação direta com o clássico "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wide, como Machado de Assis pôde ser tão atual com este conto, que fala sobre a vaidade humana, tão em voga nos dias de hoje, na verdade achar o assunto atual é apenas uma opinião pessoal minha, mas o tema é mais antigo do que se possa imaginar, também eram atuais quando foram escritos, ambos, "O Espelho" em 1882 e o "Retrato de Dorian Gray" em 1890, a vaidade humana sempre será um enredo muito original e atual.

O texto é narrado em terceira pessoa e tem Jacobina como personagem principal, que conta aos quase cinquenta anos, algo que ocorreu quando tinha apenas vinte e cinco anos.

Ele relata aos amigos um fato para explicar sua teoria de que: cada pessoa possui duas almas, uma que vem de dentro  para fora, e outra de fora para dentro "Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo", os amigos logo ficam curiosos e Jacobina consegue prender-lhes a atenção, o personagem principal é um pouco exagerado em alguns momentos, vou citá-los mais adiante. 

Jacobina explica que a alma exterior da pessoa é algo da qual ela tenha dado maior importância, algo que tenha  depositado todas suas emoções, exemplifica dizendo que, para algumas pessoas pode ser um jogo, para outras o próprio trabalho, cita até o exemplo de uma senhora que troca de alma a cada seis meses, ele quer dizer que ela muda de emoções constantemente. Esta alma exterior, é algo que tomou uma proporção maior do que a vida da  pessoa, como que sem aquela "alma" a pessoa não pudesse viver, e faz uma analogia usando o termo metade da laranja  "Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência".

"Ouve choro e ranger de dentes", ele faz intertextualidade com o texto bíblico quando segue com a narrativa, e descreve que algumas pessoas tiveram inveja de sua nomeação em um importante cargo de alferes, mas isso foi irrelevante mediante aos acontecimentos, sua nomeação foi algo muito importante em sua família, ele ganhou posição e status e era reconhecido por todos, não apenas de sua família mais também do local que morava. Era muito adulado e elogiado. 
Foi convocado a ir ao sítio de sua tia Marcolina, um local distante, sua tia o elogiava muito, o mimava com vários benefícios, deu-lhe o que havia de melhor na casa, colocou em seu quarto um espelho que pertencera a família real. 

É exatamente neste momento que ocorre a transformação "O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções e obséquios fizeram em mim uma transformação", e neste momento eu acho o personagem principal - o Jacobina, um pouco exagerado,"...ficou-me uma parte mínima de humanidade" porque quando ele diz em transformação eu imaginava que ele teria ficado muito vaidoso, tanto quanto o Dorian Gray, que fez algo horrendo, é certo que o Jacobina tenha ficado indiferente, ele prossegue dizendo que não lhe restou compaixão humana, mas isso se justifica até pela própria idade aliado à vaidade da qual tinha sido estimulado pela própria família. Em outro trecho ele diz que preferia ter morrido do que ser abandonado pelos escravos, na minha opinião o Jacobina queria ser adulado sempre, e quando se viu sozinho e solitário todos os seus temores vieram à tona,  e isso foi uma grande aflição. 

Eu chego a achar a vaidade dele ingênua, óbvio que não deixa de ser uma "vaidade", e cada qual com o seu grau de vaidade, por exemplo eu não o acho tão desumano como ele mesmo se intitula no momento em que se preocupa com o prejuízo que a tia teve com o abandono dos escravos, e o acho mais preocupado ainda quando pensa se deve ir ter com a tia, e decide não fazê-lo para não alarmá-la em um momento já difícil para ela (a doença da filha - prima dele).

Os momentos aflitivos de Jacobina como quando não se reconhece diante do espelho (aquele espelho real), realmente é um dos pontos altos do texto talvez um momento de baixo auto-estima misturado a solidão do personagem, é neste momento que ambos se parecem, ele e Doryan, um diante do espelho e outro diante da pintura, e ambos mediante a vaidade humana.