domingo, 16 de agosto de 2015

Rio - 5 lugares para conhecer


Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonado pelo Rio de Janeiro, é a cidade que inspira todas as artes, não à toa é chamada de Cidade Maravilhosa, o lugar onde nos sentimos dentro do cartão postal sob qualquer ângulo.

Já tinha passeado pelo centro histórico algumas vezes, conhecia a Colombo, a Biblioteca Nacional e algumas Igrejas, mas ainda não era o suficiente (e ainda não é).

No final de 2014 comecei a ler 1808, livro de Laurentino Gomes que narra a vinda da família real portuguesa para o Brasil. Diante de uma leitura tão boa quis pessoalmente conhecer alguns dos lugares mencionados no livro (e outros). 

Todos os cinco locais citados ficam próximos e dá para fazer o roteiro todo a pé em apenas um dia, espero que sirva de inspiração para quem pretende visitar a Cidade que abriga uma das sete maravilhas do mundo moderno - o Cristo Redentor.



Atualmente é um centro de exposições muito interessante, quando fui a área de museu estava fechada para reforma, de qualquer modo vale a visita. O local serviu de moradia para D.João VI e sua família. Saiba mais sobre a história do Paço Imperial clicando no link abaixo da foto. 


Todas as vezes que vou ao Rio sou obrigado a tomar um delicioso café na Colombo, aposto que você também vai amar. Saiba mais sobre a história da Colombo clicando no link abaixo da foto.





Este lugar é simplesmente maravilhoso, visita obrigatória na cidade. Saiba mais sobre a história do Real Gabinete Português de Leitura clicando no link abaixo da foto.


 
Para marcar presença histórica, e receber (simbolicamente) os visitantes Dom João VI é representando logo na entrada através de seu busto feito em mármore carrara.



Ao visitar o Rio não deixe de fazer a visita guiada gratuita na Biblioteca Nacional, trata-se de uma verdadeira aula de História. Saiba mais sobre a história da Biblioteca Nacional clicando no link abaixo da foto. 


Vista lateral panorâmica do Teatro Municipal











Só pelo prédio o lugar já merece uma visita, é simplesmente incrível e lindo, uma viagem no tempo, não apenas cronológica, mas cultural e histórica. Saiba mais sobre a história do Teatro Municipal clicando no link abaixo da foto. 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Tesouro - Eça de Queiróz

O conto narra a dificil vida de três irmãos muito pobres, quase miseráveis, descritos pelo autor como os mais famintos e remendados do reino das Astúrias, para comer caçavam, e dormiam na estrebaria para aproveitar o calor das éguas.
Em uma silenciosa manhã de Domingo caminhavam pela mata afim de caçar algo, mas ao invés de algum animal, encontraram um cofre cheio de ouro, que os deixou sem ação, trêmulos, riam de sua própria sorte, ou quem sabe desgraça?
Os irmãos eram: Rui o mais articulado e com atitudes de lider, Rostabal o mais forte e Guanes o menor em tamanho porém maior em agilidade, decidiram que este fosse buscar vinho e alimentos pois estavam famintos, ficou combinado em comum acordo que o tesouro seria dividido igualmente e cada um possuiria uma das três chaves do cofre.
Enquanto aguardavam o anoitecer para dali levar o ouro em segurança, e ainda esperavam pelo irmão, Rui foi tomado por um sentimento de ganância e trama com Rostabal contra a vida de Guanes, para ficarem com sua parte no tesouro. Rostabal feriu o irmão com uma espada e é morto em seguida por uma navalha afiada num golpe certeiro dado por Rui, que pretende herdar as três chaves e ser o único dono de todo o ouro do cofre, mas ao beber o vinho da comemoração (aquele trazido por Guanes) cai morto, seu irmão tinha a mesma intenção e envenenara a bebida. Por fim o ouro não pertenceu a ninguém e continuou na mata de Roquelanes
Os pormenores e descrições minuciosas de cada personagem, suas atitudes e até a interpretação de caráter ficam claras em cada um deles no momento que percebem a iminência da riqueza individual (com excessão a Rostabal que revela personalidade sugestionável e se deixa seduzir pelas idéias do irmão) caracterizam o conto dentro da estética Realista que tem como identidade a veracidade e detalhes nos fatos.
O escritor tentou modificar a cultura de seu país através da mais habilidosa ferramenta que possuía: a escrita, e neste conto revelou que o ser humano possui um lado obscuro e pode usá-lo das piores formas possíveis, um assunto considerado "tabu" para a época em que foi escrito, pois a literatura antecessora ao realismo (romantismo) não abordava este tipo de assunto, tornando Eça de Queirós um escritor revolucionário na época.

sábado, 2 de maio de 2015

As pessoas estão sumindo

Fui assistir ao filme Entre Abelhas com Fábio Porchat, gostei muito, pois é um drama que fala sobre depressão e situações ligadas ao cotidiano, apesar de uma ou outra cena divertida nem de longe é uma comédia, como todos esperam por ali ver os atores do Porta dos Fundos.

O filme mostra como as pessoas estão sumindo da vida do protagonista, ele passa a não enxergá-las a seu redor, pois está vivendo o drama da sepação e fica isolado em sua crise pessoal.

É muito comum e atual essa temática, as pessoas já não ligam umas para as outras, os pacotes de minutos nas operadoras estão caindo em desuso, já os pacotes de dados estão cada vez mais ofertados e procurados, há quem diga que em tempos de "whats app" ligação é prova de amor, e é mesmo, pois vivemos em uma época onde ninguém quer receber ligação pois preferimos resolver tudo por mensagem escrita, é mais fácil.

As pessoas sumirem no filme é um recurso alegórico mas na vida real não é muito diferente, é a letra da música "A Lista" do Osvaldo Montenegro na prática, é sempre a mesma coisa, quando saímos de um emprego sempre juramos manter contato com aqueles amigos, e depois nos vemos apenas uma ou duas vezes, quando mudamos de casa é a mesma coisa, com os melhores amigos da infância que prometemos nunca nos desgrudar ocorre o mesmo, e assim pela vida toda. 
Sempre vejo uma frase na internet, que é dura porém verdadeira "Quem não é visto não é lembrado".
E assim a vida muda de rumo, e vamos nos distanciando cada vez mais das pessoas que gostamos e admiramos.

Por isso é sempre bom uma manifestação de carinho, seja através de uma palavra amiga, uma mensagem, ligação e se for pessoalmente melhor ainda.

domingo, 6 de outubro de 2013

O Espelho

Meu resumo e opinião do conto O Espelho de Machado de Assis p/ aula de LIteratura

Ao ler "O Espelho", fiz relação direta com o clássico "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wide, como Machado de Assis pôde ser tão atual com este conto, que fala sobre a vaidade humana, tão em voga nos dias de hoje, na verdade achar o assunto atual é apenas uma opinião pessoal minha, mas o tema é mais antigo do que se possa imaginar, também eram atuais quando foram escritos, ambos, "O Espelho" em 1882 e o "Retrato de Dorian Gray" em 1890, a vaidade humana sempre será um enredo muito original e atual.

O texto é narrado em terceira pessoa e tem Jacobina como personagem principal, que conta aos quase cinquenta anos, algo que ocorreu quando tinha apenas vinte e cinco anos.

Ele relata aos amigos um fato para explicar sua teoria de que: cada pessoa possui duas almas, uma que vem de dentro  para fora, e outra de fora para dentro "Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo", os amigos logo ficam curiosos e Jacobina consegue prender-lhes a atenção, o personagem principal é um pouco exagerado em alguns momentos, vou citá-los mais adiante. 

Jacobina explica que a alma exterior da pessoa é algo da qual ela tenha dado maior importância, algo que tenha  depositado todas suas emoções, exemplifica dizendo que, para algumas pessoas pode ser um jogo, para outras o próprio trabalho, cita até o exemplo de uma senhora que troca de alma a cada seis meses, ele quer dizer que ela muda de emoções constantemente. Esta alma exterior, é algo que tomou uma proporção maior do que a vida da  pessoa, como que sem aquela "alma" a pessoa não pudesse viver, e faz uma analogia usando o termo metade da laranja  "Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência".

"Ouve choro e ranger de dentes", ele faz intertextualidade com o texto bíblico quando segue com a narrativa, e descreve que algumas pessoas tiveram inveja de sua nomeação em um importante cargo de alferes, mas isso foi irrelevante mediante aos acontecimentos, sua nomeação foi algo muito importante em sua família, ele ganhou posição e status e era reconhecido por todos, não apenas de sua família mais também do local que morava. Era muito adulado e elogiado. 
Foi convocado a ir ao sítio de sua tia Marcolina, um local distante, sua tia o elogiava muito, o mimava com vários benefícios, deu-lhe o que havia de melhor na casa, colocou em seu quarto um espelho que pertencera a família real. 

É exatamente neste momento que ocorre a transformação "O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções e obséquios fizeram em mim uma transformação", e neste momento eu acho o personagem principal - o Jacobina, um pouco exagerado,"...ficou-me uma parte mínima de humanidade" porque quando ele diz em transformação eu imaginava que ele teria ficado muito vaidoso, tanto quanto o Dorian Gray, que fez algo horrendo, é certo que o Jacobina tenha ficado indiferente, ele prossegue dizendo que não lhe restou compaixão humana, mas isso se justifica até pela própria idade aliado à vaidade da qual tinha sido estimulado pela própria família. Em outro trecho ele diz que preferia ter morrido do que ser abandonado pelos escravos, na minha opinião o Jacobina queria ser adulado sempre, e quando se viu sozinho e solitário todos os seus temores vieram à tona,  e isso foi uma grande aflição. 

Eu chego a achar a vaidade dele ingênua, óbvio que não deixa de ser uma "vaidade", e cada qual com o seu grau de vaidade, por exemplo eu não o acho tão desumano como ele mesmo se intitula no momento em que se preocupa com o prejuízo que a tia teve com o abandono dos escravos, e o acho mais preocupado ainda quando pensa se deve ir ter com a tia, e decide não fazê-lo para não alarmá-la em um momento já difícil para ela (a doença da filha - prima dele).

Os momentos aflitivos de Jacobina como quando não se reconhece diante do espelho (aquele espelho real), realmente é um dos pontos altos do texto talvez um momento de baixo auto-estima misturado a solidão do personagem, é neste momento que ambos se parecem, ele e Doryan, um diante do espelho e outro diante da pintura, e ambos mediante a vaidade humana.

A Cartomante

Meu Resumo do conto A Cartomante de Machado de Assis,para a aula de Literatura


O autor usa o misticismo como tema central do conto, algo que distrai, e atrai o leitor, mas no final o misticismo é apenas uma menção, já que o autor abole o final feliz, surpreendendo o leitor com um final trágico.

Uma parte que não ficou clara pra mim foi a do presente de aniversário que ela deu a ele, por que um bilhete? que palavras vulgares são essas? eu li , voltei, li de novo, porque após a morte da mãe do Camilo, já tem  uma insinuação de que os dois estivessem juntos, ou eu entendi errado?, aquele trecho do jogo de damas, xadrez, livros e passeios era apenas o flerte? eles passam a namorar após o bilhete?, o bilhete é a demonstração explícita dela para com ele? 

"Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pode....ela o picou como serpente" - penso que realmente o trecho dos jogos, dos passeios e dos livros fosse apenas um flerte do casal, pois no momento que diz que ela o picou como serpente demonstra que ele estava seduzido por ela "Pingou-lhe o veneno na boca", e mesmo que ele conservasse remorsos por estar traindo seu melhor amigo, já estava seduzido, era um caminho sem volta, "ficou atordoado e subjugado", " A batalha foi curta e a vitória delirante, adeus escrúpulos".

Machado de Assis é genial, eu adoro suas comparações e expressões, como "Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé",

Na primeira leitura que fiz, fiquei muito curioso para saber quem contou, ou como o Vilela descobriu, e aí meu instinto de Hercule Poirot me levou a uma evidência muito curiosa, a Rita (as Ritas sempre sedutoras né?! me lembrei da Rita morena de O Cortiço) levou as cartas para comparar a letra, será que por um descuido dela o Vilela pode ter visto estas cartas? porque na primeira leitura pensei que o próprio Vilela fosse o autor das cartas anônimas, e o Vilela mudou seu comportamento no mesmo trecho "Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco como desconfiado"..., ao que parece a personalidade do Vilela é muito direta e objetiva, não acho que ele fosse homem de cartas anônimas. A Cartomante não pode ser, porque o Camilo só parou de fazer visitas ao casal após o recebimento da carta, e foi após este evento que Rita procura a Cartomante (porque ela fica perturbada com a ausência de Camilo), então fica difícil distinguir a origem das cartas anônimas.

Os momentos após receber a carta do Vilela são de muita tensão, ele pensa no Vilela escrevendo a carta, e Rita lacrimosa ao lado (lembra muito Rubião e Sofia de Quincas Borba), eu acho este o ponto alto do conto, os momentos de tensão, a perturbação mental dele, o medo misturado a tentativa de se acalmar.

Eu, como pessoa apaixonada pelo Rio de Janeiro adoro os trechos de citação da Cidade Maravilhosa, quando ele vai sentido ao Largo da Carioca, lembro dos artistas de rua tocando instrumento e vendedores de livros que ficam ali na saída do metrô, mas óbvio que este era outro Largo da Carioca, rs! - Mas já existia a Confeitaria Colombo, então é válida a lembrança,rs!

Quando o tílburi pára ele estimou aqueles momentos, porque estava tenso demais, um misto de medo e ansiedade, onde a alma busca paz nos pensamentos e atitudes mais inusitados, e é neste contexto que lhe vem à mente a  frase "Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia", ele está tão tenso, e perdido suas crenças colocadas em jogo, uma confusão mental, que o faz ir a Cartomante, algo que em sã consciência jamais faria, este trecho é tão humano, é tão nosso (do ser humano), todos nós ficamos assim diante de uma situação como esta, revela a fragilidade humana diante da ansiedade que se deu por uma carta, com palavras subentendidas (subentendidas na cabeça DELE, porque o texto era claro, não permitindo ambiguidade), neste caso vale a velha máxima "Quem deve teme!".

Eis agora o trecho da Cartomante, e por que eu a acho uma "velhaca", a Cartomante diz que ele deve ter um grande susto, mas a própria feição dele denuncia isto, ele está abalado e não consegue distinguir a sagacidade dela, ela é uma comerciante, e não uma cartomante como um cigana no sentido cultural da palavra, ela é oportunista, vive de golpes, ela fica em uma posição que a luz bate toda no rosto dele, para lhe estudar as feições, ela diz que ele quer saber se algo irá lhe acontecer, e ele emenda: - "a mim e a ela" , isso para a cartomante já é um indício, ela não revela absolutamente nada.

Mesmo eu achando tudo isso, meu raciocínio a respeito dela pode ser colocado em jogo quando ela menciona o "terceiro" (Vilela), mas nada me tira da cabeça que ela é oportunista e golpista, e mesmo que ela tenha tido alguma mediunidade não adivinhou o futuro e suas previsões não se cumpriram, pois ela diz que nada lhes aconteceria.

O momento seguinte é real, eu consigo imaginá-la indo a tal cômoda pegando o prato de passas, para de um jeito sutil cobrar-lhe, e a resposta dela à pergunta dele pelo valor da consulta "pergunte a seu coração" deixando-o em uma situação delicada, prevendo que por seu estado ansioso lhe daria mais do que a consulta normalmente custaria. Neste trecho eu gosto muito da delicadeza dele, da educação em pagá-la bem por restituir-lhe a paz de espírito, isso faz dele uma pessoa grata.

E para finalizar, não vou relatar o final porque há pessoas que ainda não leram, vou deixar este trecho que achei muito lindo "Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito".

Renato Ferreira

domingo, 8 de setembro de 2013

Onde está a literariedade nos textos


Este é o texto de minha participação na aula de literatura, que tem como debate o texto da Prof. Márcia Abreu que questiona a literariedade de um texto qualquer, entre suas indagações: como um texto pode ser considerado uma obra literária? E em meu texto incluí Adelaide Carraro, a grande escritora brasileira, espero que gostem. 

Deixando de lado os pormenores avaliativos, como os critérios que uns vão concordar e outros não, vamos direto ao que interessa. No texto ficou claro que, o modo como o leitor lê (ou vê) o texto, faz com que ele já crie uma opinião pessoal, ou forme um pré julgamento, e no texto este exemplo fica claro quando ela relata o modo como o livro de Machado de Assis foi recusado pelas editoras, e pela professora que lê o poema Teresa e o porquinho da índia, que já sabendo que o texto seja do livro de Manuel Bandeira percebe a repetição e a redundância passando de defeito a virtude. 

Logo no início a autora já nos chama para a reflexão do texto, que é o que realmente importa, conforme descrição da página 23 "Os critérios de seleção, segundo boa parte dos críticos, é a literariedade imanente aos textos, ou seja, afirma-se que os elementos que fazem de um texto qualquer uma obra literária são internos a ele e dele inseparáveis, não tendo qualquer relação com questões externas a obra escrita, tais como o prestígio do autor ou da editora que o publica por exemplo."
Um mesmo texto ganha sentidos distintos de acordo com aquilo que se imagina, mas precisamos saber que não temos que imaginar antes de ler, temos que LER, RELER e LER novamente até entender exatamente o que o escritor escreveu. 

E neste contexto eu me lembro da querida e saudosa escritora Adelaide Carraro, que na época de lançamento de seus livros era rotulada como "escritora maldita" por fazer denúncias de importantes políticos e empresários, Adelaide também era vista como escritora de literatura pervertida e erótica. Mas para quem leu suas obras, e acompanhou sua vida através dos livros, sabe que essa  "rotulação" é indevida e injusta, e em nada retrata a realidade de seus livros.

Para quem não conhece, Adelaide Carraro* foi uma grande escritora brasileira, autora de grandes sucessos como "O Estudante" e "Eu e o Governador", mas que por descrever em detalhes cenas de sexo, onde inclusive denunciava pessoas que abusavam do poder para obter sexo com jovens, moças ou rapazes em troca de cargos públicos e empregos, tanto na política como no setor artístico como a televisão, ficou classificada deste modo, pelos mesmos críticos que não leram em sua obra, seu grande esforço nas causas sociais, como a criação da casa do ex tuberculoso pobre, quando defendia a idéia de que ex prostitutas e travestis dependiam de empregos dignos para não viverem mais na obscuridade da sociedade e outros temas de grande sensibilidade. Adelaide defendia também o fim do racismo racial e tinha um forte apelo contra os maus tratos a animais, isso e muito mais o leitor pode sentir e vivenciar em sua extensa obra, inclusive no ano de 2006 conversei com Antônio Carlos Carraro, sobrinho da escritora mencionado em seu livro "Gente - o dia em que fui presa"de 1977, e ele me confirmou que sua tia era tão sensível a ponto de retirar animais de rua  e levá-los para a própria casa. 

Existe um fato muito oportuno a dizer sobre a Adelaide Carraro exatamente em relação a questionamento de literariedade, certa vez Adelaide Carraro saiu na rua apenas de pijama de flanela debaixo de uma leve garoa, por insistência das crianças da rua para que ela as ajudasse a salvar um gatinho que estava preso no alto de um prédio em construção. No meio da estranha situação (por estar na rua naqueles trajes e ainda debaixo de leve chuva), a escritora se conforta ao lembrar de Honoré de Balzac, que muito vaidoso após um jantar sai para acompanhar uns amigos com um castiçal em mãos, mas não para protege-los, e sim para exibir o novo robe de chambre que acabara de ganhar, ao mesmo tempo ela se censura, dizendo para si mesma que era muita audácia se comparar ao grande literato, mas em seguida ela pensa e indaga consigo "Meus irmãos brasileiros compram, e amam meus livros, então eu tenho esse direito de escritora".

Lamento que a obra principal da escritora, como sua sensibilidade e luta social não eram os elementos mais valorizados e destacados, acredito e defendo que; o escritor é responsável pelo que escreve, e não pelo que o leitor entende, ou em alguns casos deseja entender. 

E, como conclusão entendo que a Prof. Márcia teve como propósito em seu texto, mostrar que há "literariedade" em muito mais fontes ou mídias do que sabemos ou é classificada, basta lermos para encontrarmos, "a literatura não é algo particular ou historicamente determinado, e sim um bem comum da humanidade, que deve ser lido por todos e da mesma maneira".

Obrigado,

Renato Ferreira

domingo, 21 de julho de 2013

A menina que queria ser "mulherão"



Quantas vezes queremos ser algo diferente do que somos, quem nunca quis?

Hoje eu estava maquiando uma moça de 29 anos, muito bonita, mãe de duas crianças, de pele tão jovem com cara de mãe de nenhuma, o rosto de sete anos a menos que a real idade, uma pele imaculada, sem marcas ou manchas. E enquanto a maquiava ela me perguntou se tinha cara de "mulherão", e eu disse que não, porque ela realmente não tem, porque seu rosto é gordinho, e sua expressão infantil, ela ficou meio decepcionada com minha resposta, mas pra variar eu sempre tenho respostas honestas na ponta da língua, o que nem sempre agrada a todos, fazer o quê?

Isso me fez pensar em outras coisas que eu já quis ser, quantas vezes eu quis ser o que não era possível? E quem nunca?
Já quis ser outra pessoa com pensamentos e objetivos diferentes dos que tenho, eu já quis ser rico, rs! Enfim, eu já quis ser várias coisas.

Mas não é se torturar demais? Graças a Deus eu hoje mais maduro, mais vivido tenho pretensões e ambições bem menores, já sei o que me faz feliz, já sei qual sonho é palpável e qual é impossível, e esse "pé no chão", essa noção de realidade deixa a vida mais fácil, e mais prática.
 Acho que existem planos a longo e a curto prazo, isso aprendi no livro "O Poder do pensamento positivo", que ficar focando em objetivos muito difíceis, ou que levam anos a serem conquistados, gera frustração, e nos leva a tristeza, e tudo o que não queremos e não desejamos, é tristeza, porque essa a vida já se encarrega de nos trazer sem mesmo a gente pedir.

E pra essa menina que quer ser mulherão, eu termino de fazer sua maquiagem dizendo que fique feliz, e comemore por sua pele não precisar de tanta maquiagem, que mesmo quando estiver com mais de quarenta anos sua pele estará linda e sua expressão continuará sendo de uma pessoa mais jovem, e que mulher não quer ouvir isso?